Dividindo Espaços Públicos: A Calçada

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Para andar nas calçadas com segurança e harmonia, é apenas preciso se lembrar que é um espaço dividido: mantenha-se à direita, preste atenção no seu caminho, permita ultrapassagens, tome cuidado para não acertar seus objetos nas demais pessoas, evite comprar em camelôs. Importe-se com os outros.

Parte I – Princípios Básicos ou não.

 

Quantas confusões não acontecem entre os pedestres ao tentar cruzar as ruas e calçadas e chegar em seus objetivos. E é tão desnecessário, apesar de sermos mais de milhões, apesar das cidades nem comportarem tanta gente, temos que fazer isso ser possível, mas parece que nenhum de nós jamais aprendeu na infância a mais difícil e importante (uma vez que vivemos todos juntos) lição: a de dividir!

-Não compre em Camelôs;

Sei que escrever isso vai me dar uma dor de cabeça danada, mas escrevo porque acredito; faz parte dos meus princípios e eu vou tentar convencê-los. Sempre que você trombar em alguém na rua, ou sempre que tiver que andar encolhidinho, ou sempre que tiver que desviar de algo no caminho, pare e olhe em volta. Se ali tiver um camelô, a culpa é dele. Comércio ambulante, exceto com licença da prefeitura,que é uma coisa rara, é PROIBIDO! Por que é proibido? Porque não paga imposto (eu não vou nem comentar daqueles que ROUBAM energia do SEU município direto do poste). E se não paga imposto, não tem direito a SE APROPRIAR de um pedaço da rua. Honestamente, eu não tenho nada contra os ambulantes que realmente perambulam porque eles não estão fixando (ou apropriando-se) em (de) um espaço, eles estão andando pela rua, como qualquer um. Compre deles! Agora, daqueles que ficam paradinhos vendendo produtos de origem duvidosa, por favor, não. Existem muitas lojinhas vendendo produtos de mesma origem, vá até elas. Não falo para que ofendam esses trabalhadores, ou para que vão exigir seus direitos brigando com eles, peço que não comprem deles, isso vai desencentivá-los a ficarem onde estão. Ou se você discordar, tudo bem, mas lembre-se, quando eventualmente sofrer um transtorno causado por uma barraca ou tenda ou lona no chão (porque se você já não sofreu, você vai!), de todas as vezes que você comprou em algum camelô. Não espere obter resultados diferentes fazendo sempre o mesmo…

(Estou aberta, embora não queira fazer isso neste post, a discutir os impactos econômicos para o público dos camelôs e para os próprios ambulantes, os quais não parecem ter muitas outras opções de trabalho.)

 -Procure andar à direita;

Quando as pessoas são tão numerosas, é mais fácil andar como carros. Outra coisa é que a maioria das pessoas é destra, eles tendem a ir um pouco na direção dos pés direitos deles se não estiverem olhando um ponto fixo. Esse “fenômeno” acontece mais ou menos naturalmente nas ruas, repare. Isso evita trombar com pessoas que vêm na direção oposta. E também facilita “ultrapassagens” caso você ande mais rápido que a pessoa à sua frente.

-Em ruas cheias, mantenha-se alerta;

Bom, pra mim isso é básico. Não dá pra bobear muito andando em ruas cheias em São Paulo, você corre riscos de ser furtado, mas principalmente, você se põe em confusão. Pisa nos dragõezinhos do camelô hippie, tromba no camelô que vende cd, atropela pessoas em pontos de ônibus e tromba com pessoas de poucos amigos. Ponho esse alerta amigável porque eu já fiz todas essas coisas e não recebi nada bom em troca da minha distração.

-Se você anda devagar, ande nas beiradas;

Tente não andar bem no meio da calçada, você vai acabar sendo atropelado por um “apressadinho” ou causar um baita de um tumulto atrás de você. Eu não sei do que as pessoas têm pressa, mas elas estão sempre correndo. Elas respeitarão o seu direito de andar devagar se você respeitar o delas de andar rápido e não ficar muito no meio do caminho.

-Se estiver carregando uma coisa grande ou dividindo a alça de uma sacola, preste atenção;

Primeiro para não acertar essa coisa que estiver carregando em ninguém. Segundo porque você estará andando mais devagar do que todos e ocupando muito mais espaço. Procure estar alerta se tem alguém tentando ultrapassá-lo e simplesmente mova para um dos lados e permita essa ultrapassagem. Outra coisa é fazer o mesmo que as pessoas que andam devagar, vá para o canto (de preferência à sua direita) da calçada.

-Ao carregar objetos, importe-se.

Se estiver carregando guarda-chuvas, mochilas, sacolas, caixas, bolsas, pastas, livros, etc., TOME CUIDADO para não acertar os outros, olha que ridículo eu ter que escrever isso, mas DÓI, SABIA?! Machuca. IMPORTE-SE. Pense o quanto desses “micro-estresses” você não tem que enfrentar por dia, não os cause em ninguém

 

Honestamente sinto-me bem triste de ter que escrever certas coisas, mas quando ando na rua,  sinto que é até o mais básico precisa ser dito, por mais óbvio que seja. Talvez este blog devesse chamar-se IMPORTE-SE, uma vez que acho que a maioria das coisas que escrevo aqui (mas não todas) vem simplesmente do fato de eu me importar em não provocar os tipos de sentimento que eu sinto às vezes simplesmente por sair na rua.

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Arquivado em Calçada, Espaço Público, São Paulo

Transporte Público: Ônibus

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Tornar a experiência de andar de ônibus menos traumática é um grande desafio, para tanto, proponho algumas soluções baseada em  duas premissas: respeito à si mesmo e respeito ao próximo.  Não pegue ônibus que já vem cheio, esforce-se para não encostar em ninguém, agilize o processo de entrar no ônibus tendo certeza de que está pronto para pegá-lo e, pricipalmente, não dando passagem para idosos.

 

Parte I – Conceitos básicos.

Não bastasse ser bem chato acordar cedo pra trabalhar em algo que, muitas vezes nem gostamos e, na maioria delas – gostando ou não – não nos paga bem, nós mesmos ainda nos damos ao luxo de piorar a nossa situação tornando o transporte coletivo uma experiência absurda e, porquê não dizer, traumática.

Vamos tentar encontrar algumas soluções viáveis para este caso em São Paulo ( isso talvez se aplique em outros lugares tambem):

-Se o ônibus vier muito cheio, espere o próximo;

Dê-se ao respeito! Não corra risco de morte surfando na porta do ônibus aberto e em movimento, não se submeta a se “assardinhar” contra seus colegas de ônibus. Se para isso você precisar chegar atrasado, chegue. Se isso for uma regra e não uma exceção as próprias empresas começarão a procurar uma solução. Ou ainda, se você tem tanto medo de perder o emprego, acorde mais cedo, não se submeta! Respeite à si mesmo!

Outra coisa válida é ligar todos os dias possíveis na SPtrans e relatar quanto tempo seu ônibus demorou pra chegar – qualquer coisa a mais que 20 min é tempo demais! -, e quão cheio ele estava em determinado horário. Demora, mas eu GARANTO que funciona, ainda mais se você não for o único a ligar. (Experiência própria, isso vai levantar sua moral enquanto formiga no formigueiro! Você consegue bem mais coisas, se tentar mais). Ah sim, a ligação é gratuita (0800 77 10 118) e não costuma demorar muito. Você pode fazer isso inclusive de dentro do ônibus ou enquanto o espera. Este tambem é o número a se ligar quando você tiver qualquer contratempo com cobradores e motoristas. Anote o número do ônibus e o horário.

-Se o ônibus estiver cheio, tente não encostar em ninguém;

É mundialmente falado como nós, brasileiros, somos um povo “caloroso”, mas eu diria que nem tão caloroso assim. Como qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, nós todos precisamos de nosso espaço físico e temos um certo limite até onde o outro pode chegar e é exatamente porque esses limites variam, que devemos fazer mais do que o possível para não encostar em ninguém. Isso não se limita só as pessoas que estão passando pelos que estão em pé, isso deve ser uma regra geral. Uma tentativa geral. Se você vai sentar do lado de alguém, primeiro, é educado (mas eu não estou aqui pra falar de educação) pedir licença. Não que essa pessoa possa ou tenha o direito, no caso do transporte público de negar-lhe essa “licença”; isso funciona como um aviso “estou me aproximando e talvez eu invada o seu espaço pessoal”. Depois de sentado segure-se no seu lugar. Tente não cair em cima dos outros (se você estiver acordado – dormir no ônibus a gente fala sobre uma próxima vez), segure-se no seu lugar e, se o ônibus começar a encher, saiba que seu espaço será afetado. Procure manter-se no seu formato mais compacto: pernas fechadas (o máximo possível), seus pertences no seu colo, seus braços sobre você e não jogados pro lado. Se você estiver de pé, é uma situação meio complicada, você PRECISA tomar cuidado com quem está sentado. Frequentemente a altura da sua genitália será a altura de quem está sentado e torna-se incômodo estar sentado – você já esteve nessa posição antes, você sabe! – portanto, por mais que lhe empurrem, não se permita cair no rosto alheio. Ainda existem outras coisas que podem ser feitas. por exemplo, se você for um dos últimos a descer do ônibus – normalmente a gente pega ônibus todos os dias com as mesmas pessoas – fique depois da porta do fundo do ônibus. É um espaço pequeno, mas ninguém ficará passando por você e você não atrapalha o caminho. Se for descer logo e o ônibus tiver cheio, avise o cobrador, ele pode ou deixá-lo descer pela frente, ou fazer o motorista esperar no seu ponto, pra que você possa chegar à porta com calma, sem bater em ninguém. Em qualquer circunstâncias, por favor, não se esqueçam de rodar a catraca, é aquele número da catraca que determina se mais ônibus serão colocados na linha ou não.

-Enquanto espera pelo ônibus, separe o troco, tenha o bilhete único e/ou documentos que precisa em mãos;

É claro que às vezes temos que correr pra pegar o ônibus e simplesmente não dá tempo, mas como na maioria das vezes, temos que ficar esperando o ônibus por um tempão, vamos agilizar. A outra coisa que agiliza é o meu próximo item:

-NÃO deixe idosos passarem na frente ao subir no ônibus.

Não me entendam errado. É necessário que se dê lugares aos idosos, que eles sejam respeitados (como qualquer outra pessoa), mas na fila do ponto de ônibus eles precisam ser os últimos a entrar, por um motivo simples: eles ficam na frente do ônibus! O que frequentemente acontece é que a frente do ônibus enche e fica congestionada e as pessoas jovens que precisam passar pela catraca ficam empacadas no meio da confusão. Se algum desses idosos for passar para trás, tudo bem, mas você não tem como saber, então por via das dúvidas esqueça a etiqueta em nome da praticidade. (Não confudam com ser rude! É simplesmente não dar o seu lugar na fila, não estou falando de roubar o do outro!)

Sei que algumas coisas que escrevi parecem irreais e outras podem até soar controversas, só o que eu posso dizer em minha “defesa” para os que me lêem é: só tem um jeito de saber se as coisas que eu escrevi funcionam ou não e esse jeito é as colocando em prática.

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